Na década de 90, a Microsoft foi claramente muito lenta para visualizar o
potencial da internet, permitindo a Netscape construir uma liderança
considerável no mercado com seu navegador.
Ela começou a se mexer quando vieram à tona as ideias visionárias e futurísticas
da Netscape sobre algo muito similar à computação em nuvem atual: você não
precisa de um sistema operacional, bastando um pequeno núcleo que coloca o navegador em operação e todas as aplicações estão na internet à sua disposição.
Algo bem semelhante ao Office Live, que na época fez tremer o conceito de
sistema operacional tradicional. E pasme: já se passaram 20 anos, e só agora
algumas ideias dos engenheiros da Netscape começam a tomar corpo.
As duas primeiras versões do navegador Internet Explorer (lançadas em agosto e
novembro de 1995, respectivamente) foram praticamente ignoradas pelos usuários,
mas a terceira versão que chegou em agosto de 1996 ganhou alguma atenção.

Muitos lembrarão o monstro que foi IE4 em setembro de 1997: esta
foi a primeira vez que o navegador da Microsoft cravou suas garras o núcleo do
sistema operacional Windows, um movimento realmente audaz em um caminho para
enfrentar uma série interminável de processos antitruste do governo dos Estados
Unidos e da União Europeia.
A Microsoft melhorou muito o Internet Explorer na versão 5 (lançada em março de
1999), e esta versão derrotou comercialmente a Netscape, chegando a um monopólio
virtual do mercado de navegadores, com cerca de 95% do mercado.
A versão 6 (de agosto de 2001) foi lançada pouco antes do Windows XP, e aumentou
ainda mais o a posição dominante da Microsoft. Entretanto isso levou a um
período claro de estagnação, durante o qual o IE 6 tornou-se famoso por conter
um número elevado de falhas de segurança.
Cinco longos anos depois, em Outubro de 2006, foi lançada a versão 7, e nesse
período as rosas brotaram entre as cinzas do Netscape, e o Mozilla Firefox
começou a trazer inovação, segurança e versatilidade, se tornando uma boa
alternativa ao Internet Explorer.
Com o Firefox alcançando uma quota de mercado superior a 21%, a Microsoft
acordou e buscou alguma motivação para novamente inovar. O IE 8 começou a ser
desenvolvido em agosto de 2007, e duas versões beta apareceram em 2008. Em março
de 2009 foi lançada a versão final, e a Microsoft nos mostrou que ela trazia com
uma série de melhorias e novidades.

Posso afirmar que inicialmente fiquei impressionado: quando você
usa o IE 8, você vê que a Microsoft adicionou algumas funcionalidades
verdadeiramente úteis.
Embora algumas delas já estavam disponíveis para a comunidade do Firefox, não
podemos negar que ao menos Microsoft implementou essas funcionalidades e
melhorou muito a segurança do seu navegador.
Uns dos novos recursos são os “Aceleradores”, atalhos que permitem transferir
essa informação para outra página da web ou serviço com rapidez e facilidade.
Parece complexo, mas é apenas um realce de texto e um pequeno ícone exibido
próximo ao canto do texto selecionado. Clica-se no ícone para abrir a lista de
aceleradores, e se houver mais de uma opção dele, você pode entrar na opção de
gerenciamento de complementos e selecionar qual será o default.
Outro novo recurso importante é o webslice, que permite colocar um atalho na
barra de menu de onde você pode obter uma atualização automática de uma página.
Cada site pode disponibilizar um webslice por meio de um plug-in, e estes estão
disponíveis na página complementos da Microsoft em
www.ieaddons.com.
Um webslice nada mais é do que um RSS feed, visual, e embora seja uma ótima ideia, ele não é algo revolucionário.

O modo de navegação InPrivate, disponível a partir da barra de
ferramentas de segurança, é outro recurso já disponível no Google Chrome e no
Firefox, e que proporciona aos usuários um modo anônimo navegação.
Os pontos negativos do IE8 ficam por conta da compatibilidade com os padrões
internacionais W3C, que continuam sendo ignorados, a falta de um sistema de
correção ortográfica que todos concorrentes possuem, e a velocidade de
renderização de páginas que continua extremamente sofrível.
O pior é que a diferença de velocidade de renderização é clara, não precisando
utilizar programas especializados como o Peacekeeper da Futuremark, que mostra
diferença de performance na casa dos milissegundos. Limpe o cache do navegador e
acesse uma página com gráficos pesados, e você verá que é perfeitamente
perceptível a diferença de desempenho em relação a qualquer outro navegador.
As críticas dos usuários têm sido extremamente ácidas quanto a esse quesito, e
infelizmente suas reclamações não encontram respostas.
Ninguém precisa ter obrigatoriamente o navegador mais veloz do planeta em seu
computador, mas também ninguém merece um desempenho tão aquém do esperado. O
pior mesmo é que observando atentamente os números recentes do
marketshare de navegadores, com certeza os antigos engenheiros da
Netscape devem estar pensando que “a vingança é um prato que se come frio”.

