Para cada tecnologia que surge para facilitar nossas vidas, surgem também vários efeitos negativos de seu uso. Como exemplo, podemos citar os carros, que facilitaram nosso transporte, mas nos deixam presos em engarrafamentos e os e-mails, que facilitam nossa comunicação, mas entopem nossas caixas de entrada com spam. A mais recente tecnologia a enfrentar estes efeitos colaterais é a dos meta dados, que apresentam "informações sobre informações".
Os meta dados existem desde o primeiro sistema operacional e da criação da estrutura de arquivos. Informações como nome de um arquivo, seu tamanho e data de criação são exemplos de meta dados que ajudam na organização dos arquivos. Um exemplo antigo que usava os meta dados está no sistema operacional BeOS, que exibia os meta dados de todos os arquivos, embora o usuário fosse obrigado a preencher manualmente estas informações.
Um dos meta dados mais usados é o banco de dados de músicas CDDB, acessado por vários softwares quando alguma MP3 ou CD de audio é executado, para que o usuário receba corretamente as inforamções sobre os arquivos. Arquivos de som como MP3 e WMA permitem que estes dados sejam armazenados dentro do próprio arquivo. Uma das vantagens é a preservação das informações mesmo quando os arquivos são movidos para outras máquinas ou abetos por outros softwares.
O problema é que a maioria dos usuários não sabe da existência dos meta dados, e há vezes em que esta função pode ser usada para vazar informações que deviam permanecer privadas. Exemplos: em 2004, jornal New England de Medicina usou uma função de um processador de textos para revelar que o laboratório Merck & Co. apagou partes de seu estudo sobre os perigos do medicamento Vioxx. Um relatório lançado pelo Pentágono norte-americano em PDF sobre um soldado que teria matado acidentalmente um agente do serviço secreto italiano teve partes apagadas. No entanto, descobriu-se que estas informações eram recuperáveis.
Para evitar estes problemas, a Microsoft anunciou que será possível, no Office 12, retirar os meta dados dos arquivos. Porém, o analista Michael Silver do Instituto Gartner afirma que isso não resolverá o problema, já que a remoção dos meta dados continuará sendo um processo manual e, portanto, pode ser esquecido pelo usuário.
Mais informações: Ars Technica