Em 1905, um fotógrafo russo criou uma câmera fotográfica que utilizava três lentes, sendo cada uma com filtro de cor diferente: vermelho, verde e azul. Isto permitia que as fotos fosse combinadas posteriormente para que ficassem coloridas.
O resultado da invenção de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii (1863-1944) pode ser visto hoje em dia: fotos coloridas do início do século 20 com ótima qualidade que parecem ter sido tiradas ontem.
No início do século 20, Prokudin-Gorskii criou um plano ambicioso que basicamente consistia em viajar por todo império Russo tirando fotos. Entre as fotos tiradas por Prokudin-Gorskii está a única foto colorida de Leon Tolstoy, tirada em 1908.
Após sua morte em 1944, a Biblioteca do Congresso dos EUA comprou tudo o que pertencia a ele e junto estavam os negativos das fotos. Detalhes sobre a exibição e o trabalho de Sergei Mikhailovich Prokudin-Gorskii podem ser vistos aqui.
Confira algumas das fotos tiradas por ele:





A única fotografia colorida de Leon Tolstoy
(tirada em 1908)
A câmera original de Prokudin-Gorskii utilizava uma placa de vidro com cerca de 76,2 mm x 228,6 mm colocada verticalmente. Como não existe uma réplica da câmera usada por ele, os responsáveis pela exibição usaram um processo digital para obter as fotos a partir dos negativos originais.
Com a câmera original, primeiro era preciso fotografar a mesma cena três vezes em uma sequência rápida usando um filtro vermelho, um filtro verde e um filtro azul:

Ao ser visualizada na câmera de Prokudin-Gorskii, a cena fotografada podia ser vista em uma sequência de três imagens e em ordem reversa:

Cena fotografada usando a placa de vidro (à esq.) e
visualizada pelas lentes da câmera
No processo digital, o negativo original em três partes é digitalizado com uma câmera digital especial usando uma escala de tons de cinza. Um software de edição de imagens converte a imagem digitalizada do negativo para positivo. Depois disso a imagem digitalizada é invertida para representar a orientação física original.
Com isso a imagem digitalizada da placa de vidro é reduzida a uma escala de tons de cinza de 8 bits. Após esta etapa a imagem tem seu contraste revisado, grau de separação de cores ajustado e outros detalhes que podem influenciar nas cores da composição final.
Em seguida a imagem digitalizada da placa de vidro é alinhada e as bordas são cortadas:

Em seguida um arquivo eletrônico é criado para cada imagem recortada, formando assim três "camadas" que gerarão a composição final de cores. As três camadas recebem seus nomes de acordo com suas cores:

Ainda usando o modo com a escala de tons de cinza (ou modo grayscale), as três camadas são alinhadas formando a composição RGB (red, green e blue). A parte do registro é o processo mais difícil, já que se uma das camadas estiver desalinhada, a foto final será prejudicada.

Em seguida a composição RGB é recortada para eliminar tudo menos a área fotográfica em comum nas três camadas:

A composição então é ajustada para criar o contraste correto, efeito de luz apropriado, detalhes das sombras e equilíbrio de cores:

Os ajustes finais são aplicados em áreas específicas para minimizar os defeitos associados ao processo como um todo:

Imagem final:
