No evento Connect() que foi realizado recentemente pela Microsoft, um anúncio em particular despertou muito interesse da imprensa e das comunidades técnicas – a entrada da Microsoft na Linux Foundation como um Platinum Member.

Durante os anos 90 e a maior parte dos anos 2000 a Microsoft encarou o Linux como um competidor direto, em função da concorrência com o Windows no mercado de PCs (desktops e notebooks). Durante este período a Microsoft também tratou o movimento de open source como uma ameaça ao seu modelo de licenciamento comercial de software.

microsoft-linux-thumbnailTudo isto começou a mudar quando a Microsoft iniciou a criação da sua plataforma de nuvem, o Windows Azure (que passou a se chamar Microsoft Azure em 2014). Uma plataforma de nuvem não tem chance de ter sucesso no mercado se ela suporta apenas um único sistema operacional ou plataforma de desenvolvimento, e assim a relação da empresa com estas tecnologias começou a mudar.

Atualmente cerca de 1/3 das máquinas virtuais no Azure rodam Linux. A plataforma suporta diversas versões do sistema operacional como Red Hat, CentOS, Debian, Ubuntu, CoreOS, RancherOS e FreeBSD, entre outras (veja a lista completa neste artigo). E para clientes que querem usar uma versão que ainda não é suportada é possível fazer o upload de um VHD, como descrito aqui.

O suporte ao Linux inclui também a possibilidade de utilizar containers Docker, como descrito neste artigo. Em relação a processos de automação e provisionamento o Azure suporta as principais tecnologias adotadas em ambientes Linux: Ansible, Chef, SaltStack e Puppet. E o suporte ao Linux também se estende às ofertas PaaS (Platform as a Service) – é possível criar Web Apps no Azure usando o Linux como sistema operacional (funcionalidade ainda em Preview).

Além do suporte ao Linux no Azure a Microsoft também tem incorporado tecnologias no próprio Windows – no caso do Windows 10, por exemplo, a partir da versão Anniversary Update é possível habilitar um subsistema Linux que inclui um console BASH (ainda em Beta).

Tudo isto mostra que o momento atual da Microsoft em relação ao Linux está a anos-luz da época em que ela considerava o sistema operacional como apenas um competidor. Os ambientes das empresas são heterogêneos e a compatibilidade e a interoperabilidade entre tecnologias distintas é fundamental para que as empresas possam criar soluções que aproveitam o melhor que cada plataforma tem a oferecer.

Será muito interessante acompanhar a evolução das parcerias da Microsoft com a comunidade Linux assim como as contribuições que ela fará através da Linux Foundation. É realmente uma nova era que estamos vivendo!

Por Caio Chaves Garcez / Microsoft
@Caio_garcez

  • Lucas Silva

    Acho muito legal a Microsoft estar contribuindo com a Linux Fundation. Isso mostra a maturidade da empresa em relação a outros sistemas operacionais.

    Neste momento estou utilizando o OpenSUSE 42.2 em meu computador mas tenho o Windows 7 também que uso de vez em quando.

  • darkkshine

    Essa noticia não é antiga?

    • Sim, mas esse artigo é um pouco mais técnico e criado pelo Caio da Microsoft. Eu achei importante mostrar a visão dele para o mercado..

  • Artur de Souza Aragão

    Nem acredito, mas sempre esperei isto.