Videogame é cultura? Esta é a questão que está em pauta para muitos nesta semana. Enquanto profissionais da área, desenvolvedores, jornalistas, artistas e entusiastas pregam que os jogos digitais são de fato cultura, a ministra da cultura, Marta Suplicy, ainda não vê os games desta forma.
Papo & Yo, título independente que tem se passa em uma favela brasileira.
Apenas entretenimento ou também cultura?
Em uma audiência pública na semana passada, a ministra declarou não acreditar que jogos digitais sejam cultura. Ou ao menos para fazer parte do Vale-Cultura, uma das promessas do governo Dilma Roussef, que consiste em oferecer R$ 50 aos trabalhadores para gastar exclusivamente com recursos culturais.
Este vale, no entanto, serviria para cinema, teatro, livros e, segundo a própria ministra, para “revistas porcaria”. Só não vale para games.
“[Um jogo] pode desenvolver raciocínio, pode deixar a criança quieta, pode trazer lazer para o adulto, mas cultura não é,” disse a ministra.
Os jogos digitais, em termos globais, já superam a indústria de música e cinema em muitas regiões. E enquanto os blockbusters acumulam caminhões de dinheiro, há uma vertente mais recente: os chamados “indie games”, que são jogos independentes.
Estes games visam mais a arte e a diferenciação de linguagens na hora de construir um jogo. A ponto até de questionarmos se aquilo realmente é um jogo ou simplesmente um projeto cultural, como o caso do Journey, da Thatgamecompany, lançado exclusivamente para o PlayStation 3.
Entre outros exemplos estão jogos como Limbo, Braid, Bastion e até franquias conhecidas como SimCity, um dos games que fazem parte de uma exposição feita pelo Museu de Arte Moderna de Nova Iorque.
Outro exemplo que contradiz as palavras da ministra Marta Suplicy é um fato recente e inédito, o qual noticiamos ontem: a captação de recursos pela Lei Rouanet da desenvolvedora gaúcha Swordtales, que terá R$ 370 mil para aplicar na pós-produção de seu título Toren.
Portanto, pode ser uma questão de tempo até que os games realmente se tornem um produto cultural.
E você, acredita que os jogos devem fazer parte do novo Vale Cultura?










