Com todas as disputas judiciais contra redes de compartilhamento de arquivos P2P, como Napster, Gnutella e KaZaA nos últimos anos, é fácil esquecer que o conceito de redes P2P é quase tão velho quanto a própria Internet. De fato, redes descentralizadas, que dispensam a necessidade de servidores, são a base de serviços diversos como Usenet e IRC.
Desde a década de 90, no entanto, o termo P2P foi associado ao download ilegal de músicas e vídeos, sem mencionar a pirataria de softwares. Agora, os responsáveis pela famosa tecnologia P2P BitTorrent querem mudar isso. Nas últimas semanas, a companhia agiu de forma ativa para se livrar do status de 'ilegal', obtendo US$ 20 milhões em capital de investimentos e fazendo acordos com grandes empresas de entretenimento. O site InfoWorld entrevistou o co-fundador do BitTorrent, Ashwin Navin, para falar sobre os planos da companhia de se tornar uma plataforma comercial de distribuição de conteúdo.
- P2P é totalmente associado ao compartilhamento de arquivos para muitas pessoas, mas vocês afirmam que a aplicação deste tipo de tecnologia é mais abrangente. Que tipo de problemas corporativos o BitTorrent pode resolver?
Um dos conceitos fundamentais sobre o que as pessoas chamam de Web 2.0 é que a audiência tem capacidade e recursos. Empresas bem sucedidas na Web 2.0 sabem usar os recursos dos usuários a seu favor. A Internet é um meio de comunicação de dupla mão, ao contrário de TVs e rádios. O BitTorrent exige de quem está baixando que ajude a enviar o mesmo arquivo para outros usuários, para que a demanda possa sempre ser atingida. E este é o conceito, e é algo que muitas empresas ainda não conseguem usar a seu favor. Estamos tentando fornecer uma camada tecnológica para qualquer um que fornece conteúdo para a Internet.
- O BitTorrent é descrito como tecnologia sem modelo corporativo. Como você rebate esta afirmação?
Eu penso que nosso modelo de negócio é bem definido. Com base na tecnologia, temos duas maneiras de fazer dinheiro com o BitTorrent. A primeira é agregando conteúdo e vendê-lo aos usuários - este é nosso modelo de mídia. A segunda maneira é compartilhar o conteúdo de outros serviços - este é nosso modelo de entrega de conteúdos. E nós vamos começar a lançar os dois serviços em 2007.
- A tecnologia P2P gerou vários processos. Como vocês vão usar o BitTorrent para que tribunais não atrapalhem seus negócios?
Estamos cientes da decisão da Suprema Corte americana em relação a um processo contra o Grokster. Mas sabemos que a tecnologia BitTorrent dificilmente é usada para fins ilegais, pois a mesma não protege a privacidade do usuário. Nestes casos, nós tentamos fazer acordos com os donos dos direitos autorais a fim de aumentar o conteúdo legal de nossa rede.
Mais informações: InfoWorld