Na sexta-feira passada, a Apple promoveu um evento para explicar o problema de antena para a mídia. Neste evento, Steve Jobs tentou mostrar que os principais celulares do mercado tem algum ponto de contato, que ao ser tocado com o dedo, causa uma queda de sinal no aparelho. Embora isso seja tecnicamente correto, o projeto do iPhone tem um erro básico: este ponto de contato é corriqueiramente tocado quando um usuário utiliza o aparelho, enquanto nos demais o ponto não é tocado quando em uso.
Solução meia-boca A Apple optou por uma solução meia-boca: ela resolveu distribuir gratuitamente uma capa que deve ser utilizada para que o problema seja minimizado. Para uma empresa que preza a qualidade dos seus produtos e diz que "ama seus usuários", ela mostra que isso não é aplicado no mundo real, pois ela evitou corrigir o problema do aparelho da maneira correta: recolher do mercado os aparelhos defeituosos e substituí-los por modelos novos sem esse problema. Como qualquer empresa séria faria, independentemente se ela é da área de tecnologia ou não.
Atualmente o iPhone representa 40% do lucro a Apple. Ao invés dela gastar US$ 1,5 bilhão (custo estimado do recall) e tratar decentemente seus compradores (os mesmos que juntos gastam US$ 43 bilhões por ano comprando seus produtos e serviços), ela preferiu obrigar a todos usarem um quebra-galho desengonçado.
Quem comprou um iPhone 4 pensando em ter um celular bonito, fino, discreto e leve, agora terá que usar uma capa que deixa-o maior, mais largo, mais pesado e mais feio. E um detalhe interessante: como o iPhone 4 é um produto novo, as capas ainda não estão disponíveis. Somente na semana que vem a Apple publicará uma página especial sobre isso, informando sabe-se-lá-quando eles estarão disponíveis e como os compradores receberão eles.
iPhone reprovado e Apple censurando Felizmente a Consumer Reports continua reprovando o iPhone 4 depois do evento da Apple, pois considera que o aparelho continua defeituoso, uma vez que o problema da antena não foi resolvido. Aliás, na semana passada a Apple censurava ou apagava tópicos em seu fórum oficial sobre essa questão: qualquer um que postasse a informação que o Consumer Reports reprovou o iPhone, tinha a mensagem ou o tópico inteiro removido. Tudo em nome da "boa imagem" dos seus produtos.
Steve Jobs confirmou que o número de ligações que caem no iPhone 4 é maior do que no modelo anterior (3GS), disse que o problema da antena é comum a todos os aparelhos do mercado e a Apple ainda não havia descoberto uma maneira de "contornar as leis da física".
Mágica barata Curiosamente o mesmo Jobs utilizou há alguns meses o termo "mágico" para descrever os seus produtos, e felizmente essa conversa-fiada-infantilóide-marketeira foi desmascarada com a óbvia restrição de seus produtos "às leis da física", sendo que ele ainda tenta utilizar isso como bode expiatório para o erro de projeto descomunal da antena do iPhone 4.
Isso tudo dificilmente afetará as vendas do iPhone, mas o fiasco da antena é um duro golpe à Apple, que sempre se orgulhou da qualidade dos seus produtos e olhou seus concorrentes com desdém. Hoje qualquer celular Xing-Ling comprado por R$ 89 na Sta Ifigênia tem recepção melhor do que o iPhone 4..
XBOX 360 x iPhone 4 Em 2006 a Microsoft teve sérios problemas com o RROD (Red Ring of Death) no XBOX 360, causado também por um erro de projeto. Embora houvesse uma solução alternativa (colocar uma toalha úmida sobre o console), ela optou pela solução correta: estendeu a garantia dos XBOX 360 de 1 para 3 anos, substituiu gratuitamente os consoles com problemas durante todo esse período, e abriu seus fóruns para discutir os problemas diretamente com os seus usuários. O custo disso superou US$ 1 bilhão, mas ela demonstrou respeito e dedicação aos seus usuários, sem escolher nenhuma solução "quebra-galho" como a Apple fez.
RIM/BlackBerry e Nokia Por fim, a RIM, fabricante do BlackBerry, e a Nokia, publicaram suas respostas oficiais sobre a questão da antena:
Tradução livre da resposta oficial da Nokia:
"Antena é um assunto complexo e há décadas tem sido algo de suma importância para a Nokia entre centenas de modelos produzidos. A Nokia foi a pioneira no uso de antenas internas e o Nokia 8810, lançado em 1998, foi o primeiro celular com esse tipo de antena. A Nokia tem investido milhares de horas em estudos sobre o comportamento das pessoas, incluindo como elas seguram seus celulares quando falam, ouvem música, navegam, etc. Nós priorizamos a recepção do sinal sobre a forma do aparelho, para que não hajam problemas, algo que se espera de uma empresa focada em conectar as pessoas.
Em geral, a performance da antena de um periférico móvel pode ser afetada de acordo como a pressão exercida pela mão da pessoa que segura o aparelho, além da maneira como ela segura-o. É por isso que a Nokia projeta seus celulares de maneira a garantir uma recepção aceitável em todas as situações, como por exemplo quando o aparelho é utilizado em ambas as mãos. A Nokia tem investido milhares de horas estudando como as pessoas seguram os telefones celulares, e os resultados obtidos são aplicados nos modelos produzidos, como por exemplo no uso de antenas internas na parte superior e inferior dos aparelhos, além de escolher cuidadosamente os materiais e seu uso em partes móveis"
Tradução livre da resposta oficial da RIM/BlackBerry:
"A RIM tem evitado soluções como a utilizada pela Apple no iPhone 4, optando por usar soluções inovadoras que reduzem o risco de queda de ligações, especialmente em áreas com sinal fraco. Uma coisa é certa: os usuários da RIM não precisam utilizar uma capa em seus BlackBerry para terem uma boa conexão. A Apple decidiu utilizar determinadas soluções no iPhone 4 e deve se responsabilizar por elas, ao invés de tentar chamar a atenção para outros fabricantes para um problema que acontece especificamente com a Apple."
Por fim, os chineses não perderam tempo em expor com humor a sua visão peculiar sobre tudo que aconteceu:
UPDATE 31/Jul: Após um estudar detalhadamente o problema da antena do iPhone e realizar diversos testes com outros smartphones, a empresa inglesa PA Consulting Group concluiu que o problema da antena está restrito somente ao iPhone. Embora o sinal de recepção caia em todos os aparelhos, de acordo com a maneira que o usuário segura o celular, somente no iPhone as ligações caíram. Mais informações aqui
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